Coroa

Coroa é o projeto do músico e produtor brasileiro André Édipo, que busca descobrir e resgatar temas em domínio público e que estavam “perdidos” - sejam eles brasileiros, americanos. europeus, africanos ou orientais - para trazê-los y compartí-los com um público que possa apreciar seu valor musical, sociológico e histórico.

Com uma experiência de 20 anos em distintos estilos musicais, que partem desde a música brasileira, africana e latina até rock, reggae, dub, hip-hop, eletrônica e outros estilos experimentais, André utiliza esse projeto como um laboratório de experimentos sonoros e performance, utilizando, entre outras ferramentas, a técnica de live looping para construir ao vivo e em tempo real cada uma das peças que compõem a apresentação.

Como um projeto estritamente baseado na apresentação ao vivo, Coroa tem a liberdade de utilizar elementos variados, usando samples de origens distintas, mas sempre de domínio público - canções, filmes, poemas - qualquer input que contribua para gerar novas ideias. Assim, apesar de ser um projeto onde a improvisação é muito importante na apresentação, é exigido um extenso trabalho prévio de pesquisa e desenvolvimento dos samples e temas.

A música é acompanhada de projeções, também manipuladas em tempo real, que completam a experiência ao vivo e destacam esses personagens e histórias e se desenvolvem em função da resposta do público e do ambiente onde se está apresentando.

Desta forma, Coroa busca relacionar esses temas com a música que fazemos e escutamos hoje e talvez ajudar trazê-las de volta ao domínio público.

 

 

Negro Prison Songs

 

Em 2009, André descobriu um disco chamado “Negro Prison Songs” e de aí nasceu a ideia de utilizá-lo de alguma maneira. Repensá-lo, ‘retrabalhá-lo’ e moldá-lo para trazer ao presente essa gravações tão fortes que retratam um contexto histórico e uma situação muito específica, mas que tristemente encontra um paralelo com o que vivemos hoje.

A coletânea com os temas originais (https://archive.org/details/negroprisonsongs) foi gravada pelo etnomusicólogo Alan Lomax na Penitenciária do Estado do Mississippi em 1947. As prisões dessa época, principalmente no sul dos Estados Unidos, eram uma fonte de trabalho manual, pois os negros - quase todos os prisioneiros eram de raça negra - passavam o dia trabalhando em plantações e ferrovias em condições de semi-escravidão.

Nessas gravações pode-se notar a crueza e força desses homens que, com suas vozes nuas, cantavam temas sobre seus pesares, sobre o que os havia levado até lá e sua condição de negros, sobre Deus e também sobre temas mundanos como dinheiro e mulheres.

O objetivo de Alan Lomax - que já havia feito gravações de gente como Muddy Waters e Memphis Slim, Charlie Higgins, Bessie Jones e outros - era registrar e preservar esses temas para a posteridade e que, no futuro, as pessoas pudessem conhecer essas pessoas e suas histórias.

Hoje é o ‘futuro’ dessas gravações; daquelas histórias cantadas e gravadas há quase 70 anos.

Misturando o presente e o passado, Coroa recria as “Negro Prison Songs” com influências e ritmos da música atual